Publicado por: webcinco | abril 23, 2009

Uma experiência grátis

Por Rodrigo Arantes

Fotos: Dani Dubeux

 

Multidão na Porta de Entrada

Show de Andrea Bocelli: Multidão na porta de entrada

O Blog São Paulo é Grátis apareceu com a proposta de colocar sempre dicas de programação gratuita ou de baixo custo da cidade de São Paulo. Dar dicas é bom, mas vale lembrar que nem sempre a vida de quem vive culturalmente de graça é fácil. Por isso, hoje postaremos uma experiência gratuita.

Há uma semana, demos dica do show do Andrea Bocelli. Bom, dois dos integrantes do Blog chamaram uma amiga artista plástica pernambucana, que estava em São Paulo a trabalho, e se programaram para ir ao show, a fim de escrever a primeira crônica do blog – e também porque o show prometia. Pensamos: bem, não é todo mundo que aprecia esse tipo de música, talvez não seja nada tããão lotado.

Tudo começou a desmoronar logo no domingo, quando o Faustão anunciou o show e disse que era algo imperdível. Disso já sabíamos, mas ele não devia espalhar isso pra todo mundo. Chegou a dar um sentimento de egoísmo. É como se quiséssemos o show só pra nós: Pôxa, agora que o Faustão falou e disse que é de graça, até quem acha que o Andrea é uma mulher vai aparecer por lá.

Na segunda-feira, antes do feriado, a coisa piorou: passou batido por nós, do Blog São Paulo é Grátis, que a Ivete Sangalo faria uma participação no show – ih, vai lotar! Nada contra a cantora baiana, mas sabemos que aonde essa mulher vai, arrasta uma multidão atrás. De graça então, já viu! Na internet a coisa só piorava. Havia sites que davam a notícia como se tratasse de um show gratuito da Ivete Sangalo com a participação do Andrea Bocelli. A tensão aumentava. Ia “rolar a festa”, e nós não queríamos bem isso.

No dia do show, resolvemos fazer como um brasileiro razoável: nem acampamos de madrugada em frente ao Museu do Ipiranga, e nem chegamos depois do evento começar. Nos programamos para chegar lá às 14h00. O show iniciaria às 16h00. Estávamos com uma boa margem de tempo, ao menos era o que nós achávamos.

Na Rua dos Patriotas (entre o Museu e o Parque da Independência), havia uma fila enorme que, segundo participantes, ia até o fim do parque, dobrava e voltava para a entrada. E a fila estava andando rápido. Uma multidão começou a se aglomerar no nosso trecho. Não se tratava mais de uma fila indiana, mas sim de um amontoado de pessoas que, de repente, se tornaram uma massa humana e invadiram a entrada do Parque. A tentação de ir junto com essa massa foi grande, mas acho que o fato de estarmos em três pessoas ajudou a manter nossa ética. Portanto, continuamos na fila.

Percebemos que a segurança não estava muito bem organizada. Quando a multidão furou a fila, ninguém tentou impedir. Depois de ficarmos uma hora e meia na fila, percebemos que havia cinco filas em paralelo e que ninguém das filas estava conseguindo entrar. Só entrava mesmo quem ia no esquema “é nóis na fita”. Preferimos ficar do lado de fora, desistimos.

Esperamos o show começar do lado de fora, onde não dava para enxergar nadinha mesmo. Enquanto divulgadores de programações gratuitas, estávamos indignados. A prefeitura anunciou que haveria uma revista na entrada. No final das contas, foi um “salve-se quem puder”. Enquanto estávamos desolados, passou do nosso lado um pai acompanhado de seu filho com uns doze anos: “É pai, também, tudo o que é de graça sempre é desorganizado”. A grande imprensa também não quis divulgar essa desorganização.

Aí o show começou e nós não conseguíamos nem ouvir. Derrotados, resolvemos ir embora. Mas… quando cruzamos a avenida Nazaré, percebemos que ela era uma outra plateia. Havia muitas pessoas lá. Dava para enxergar o palco perfeitamente e numa distância bem aceitável para quem já tinha desistido de tudo.

Estávamos realizados. Finalmente ouvíamos (e víamos), em alto e bom som, Andrea Bocelli cantando. Parecia hipocrisia cantar O Sole Mio com tanta garoa caindo do céu. Falando em céu, o que mais atrapalhou mesmo foi o Globocop, que durante as quatro primeiras músicas ficou sobrevoando o local com aquele barulho infernal. Faltou semancol.

 O restante foi só alegria, ainda mais quando o Toquinho apareceu – e da distância que nós estávamos ele era um toquinho mesmo. O som de Aquarela em um dueto fez muita gente chorar de emoção (clique aqui para ver no youtube). Até mesmo quando a Ivete Sangalo apareceu não foi tão traumático. Fizemos parte do “seleto grupo de 25 mil pessoas” que ficou sabendo oficialmente, em primeira mão, de sua gravidez.

Ou seja, foi puxado, cansamos, ficamos nervosos, quase desistimos. Mas valeu à pena, porque São Paulo é Grátis.

Dueto para cantar Aquarela: Toquinho com Andrea Bocelli

Dueto para cantar Aquarela: Toquinho com Andrea Bocelli

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Responses

  1. Eu Fuiiiii!!! =)

  2. Infelizmente a organização de shows aqui no Brasil, mais especificamente em São Paulo, está muito deficiente. Sejam eles gratuitos – como o do Andrea Bocelli – ou caríssimos – como os do Kiss e do Iron Maiden. Faltam organização e segurança para a entrada do show, para a saída, para a acomodação do público, etc.
    Eu optei por ver algumas partes do show pela TV mesmo, mais por causa do tempo que fechou do que pelo público. Mas tive amigos, que assim como vocês, quase não conseguiram ver o Toquinho toquinho….
    Beijos!


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